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sábado, maio 19, 2007

Cineclube de Faro

À Flor do Mar (João César Monteiro)
*
Do tempo que vivi no Algarve (cerca de 5 anos) lembro-me, entre muitas outras coisas, dessa vez em que caminhámos ao longo da Ria Formosa, entre Cacela-Velha e Tavira. Demorou-nos uma tarde inteira e ainda tivemos de entrar pela noite morna adentro. Sinceramente, já nem me recordo como conseguimos regressar a Faro, provavelmente de comboio. Os regressos pouco importavam nessa altura e eram frequentes as noites passadas ao relento nos apeadeiros, à espera dos comboios da manhã.
Pouco tempo depois, vi no Cineclube de Faro o À Flor do Mar do João César Monteiro, filme rodado numa casa à beira-mar perto de Cacela, uma casa que juro (acho que não sonhei) ter visto nessa viagem. Os filmes com mar lá dentro (vistos nessa época) ficaram-me mais na memória, associados às nossas vivências de sol, maresias e noites mornas. Guardo com carinho todos os filmes que vi nessa sala do IPJ em Faro, através do CCF (Cineclube de Faro) pois foi nessa sala que aprendi a gostar de cinema.
Acontece que o CCF está hoje mais dinâmico que nunca, reinventando-se a cada passo. Ontem, a propósito do encerramento das comemorações do seu 50º aniversário (com direito a Bernardo Sassetti em concerto e tudo), abriu-se ao mundo o Blogue do CCF. Vou certamente passar por lá muitas vezes, entretendo esta vontade de rumar ao sul, que frequentemente me conquista.

domingo, maio 06, 2007

Band à part (1964), Jean-Luc Godard


Odile, a rapariga deste filme, encarna esse tempo nas nossas vidas em que temos pressa de descobrir e de sentir, numa voragem acelerada que a (nos) transporta desde a inocência de nunca ter beijado um rapaz ao desgosto e cansaço que o crescimento sempre requer.

domingo, abril 29, 2007

Indie Lisboa 2007

Termina hoje o Indie Lisboa 2007.
Tocou-me especialmente este filme holandês "Forever" de Heddy Honigmann (2006). Se o filme se resumisse a uma incursão até ao cemitério Père-Lachaise em Paris, às conversas com as pessoas que por ali andam, diária ou ocasionalmente, já seria interessante pela riqueza dos motivos que levam cada pessoa até àquele cemitério ou pelas imagens de um cemitério fotogénico. Mas o filme vai mais longe: mostra-nos a vitalidade da arte a partir da evocação emocional dos túmulos de artistas sepultados. Ficamos com vontade ler Proust ou Oscar Wilde, de admirar os quadros de Ingres ou Modigliani, de ouvir Maria Callas, Chopin, de ver filmes com Yves Montand e Simone Signoret, de visitar novamente este cemitério. Mesmo que as evidências o mostrem (um túmulo no Père-Lachaise é uma evidência), a morte não existe para quem algum dia criou uma obra de arte capaz de emocionar os vivos. E o limite é "para sempre".

sábado, março 24, 2007

"The Painted Veil" de John Curran


Todas as vidas têm um sentido.

sábado, fevereiro 10, 2007

Tabu: A Story of the South Seas, de Murnau (1931)



Tabu é um filme belo. A preto e branco, mudo, filmado no Tahiti, utilizando os nativos como actores e ainda assim um filme belo, um filme para não esquecer, sobretudo a sequência final.
Matahi e Reri, dois nativos de uma ilha no Pacífico Sul apaixonam-se. É um amor proibido pois a rapariga, Reri foi escolhida para ser a virgem tabu, nenhum homem lhe poderá tocar e quebrar esta tradição significa morte. Contra tudo o que seria previsível, vemos Matahi enfrentar, com sucesso, tanto as forças da natureza como os tabus, entusiasmando-nos com esta secular visão ocidental de que o homem, através do amor, tudo vence, mesmo os deuses. Matahi é o homem excepcional, é o Gama dos Lusíadas, o Ulisses da Odisseia, o Aquiles da Ilíada. Mas é no final inesquecível que Murnau nos mostra, com maior elevação, a humanidade de Matahi quando este enfrenta a única coisa que o homem não consegue vencer: a morte. Nunca um filme me mostrou de forma tão clara o desespero, tal como o entendo, em cada braçada penosa de Matahi, o cansaço que o afastava do barco que fugia, veloz, levando-lhe para longe a mulher proibida e a sua felicidade. Há ainda um momento em que quase acreditamos que Matahi conseguirá: o instante em que num esforço sobrehumano, consegue agarrar uma corda solta no barco. Segue-se o plano revoltante de uma faca que a corta, deixando Matahi para trás, sem esperança, até que o vemos desaparecer na escuridão do mar, afogado. Mas apenas porque a morte fez batota, apenas por isso. Tabu ajuda-nos a entender a esperança e a coragem mas também a associar o quase ao desespero e à desistência.
"Um pouco mais de sol - eu era brasa/ Um pouco mais de azul - eu era além. /Para atingir, faltou-me um golpe de asa... /Se ao menos eu permanecesse aquém..."

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Através das Oliveiras, Abbas Kiarostami, 1994


Vi este filme, há uns anos atrás, no Cineclube de Faro. De tantos que vi nessa altura (foi nessa sala que aprendi a gostar de Cinema), guardei este com carinho, sobretudo o famoso plano final em que Hossein tenta convencer Tahereh a casar-se com ele (a família dela não concorda com o casamento), seguindo-a através das oliveiras (lá está), enquanto ela caminha, alguns seguros passos adiante, indiferente ao "maior coiro" de todos os tempos. A certa altura, deixamos de o ouvir e tudo o que vemos são dois pontinhos brancos perdidos na distância, no meio do verde, sempre em movimento, um atrás do outro.
Este filme passou no passado fim-de-semana, na Gulbenkian. Não o fui rever e ainda não me perdoei.

SCOOP de Woody Allen

"Afinal de contas, Woody Allen é alguém que, discretamente, assume as consequências de um universo em que dizer "eu" é, por assim dizer, um princípio sagrado de trabalho. Daí que o vejamos envelhecer como um amigo em que admiramos a didáctica combinação de realismo e magia. A sua arte ajuda-nos a lidar com as incertezas do mundo."
citando João Lopes, Diário Notícias, 19/01/2006, revista 6.ª

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Forty Guns de Samuel Fuller



"O nosso passado é como a guerra: fácil de começar, difícil de terminar."

domingo, dezembro 03, 2006

Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan




Não creio que o país insultado neste filme seja o Cazaquistão. O país-alvo parece-me ser antes "U.S. and A."

Hilariante e corajoso.

sábado, dezembro 02, 2006

Dans Paris de Christophe Honoré


Ora aqui está mais um filme alusivo a Paris. Este, passa-se sobretudo em interiores mas o cunho parisiense está bem patente. Todos os estereótipos do cinema francês marcam presença: os desencontros amorosos, as personagens que fumam desalmadamente, têm ocasionalmente livros nas mãos ou nas prateleiras, não seguram a roupa no corpo muito tempo, têm problemas emocionais (depressões e afins) e gostam de se enfiar em camas. Um verdadeiro "filme de género".

quarta-feira, novembro 29, 2006

Paris je t´aime

Fiquei com vontade de voltar a Paris e caminhar pelos seus bairros, depois de ver este Paris je t´aime. Trata-se de um filme colectivo, composto por uma sucessão de pequenas histórias, da autoria de diferentes realizadores. Em comum, têm o facto de promoverem Paris como uma cidade especial onde afectos de toda a casta acontecem, desde o amor maternal, ao amor paixão, ao amor à primeira vista, passando pelo amor surreal (entre dois mimos) até culminar no amor à própria cidade. A única pena é irmos perdendo o rasto às personagens pois as histórias são curtas e independentes entre si. Se nunca tivesse ido a Paris, até poderia julgar tratar-se de uma forma inteligente de promover a cidade e o seu turismo. Mas quando penso na única vez em que lá estive, as certezas de que este filme seja apenas ficção diminuem drasticamente.

domingo, novembro 19, 2006

Como o Cinema era Belo

The Ghost and Mrs. Muir de Joseph L. Mankiewicz (O Fantasma Apaixonado, na tradução portuguesa) é um dos filmes que passa neste ciclo de cinema na Gulbenkian. Sobre ele, escreveu Bénard da Costa:
"Não há filme mais triste. Não há filme mais bonito. Deixem-me ficar ao pé da mulher que nasceu tarde de mais para atravessar os sete mares e para ver o sol da meia-noite. Deixem-me ficar ao pé do capitão que morreu cedo de mais para a poder beijar ou para poder deitar-se com ela. Ou deixem-me acreditar que não há cedo nem tarde e que o único amor que existe- é o amor surreal, esse que Rex Harrison e Gene Tierney encontram no final, quando desaparecem na névoa, atravessada a última porta."
É certo que uma obra de arte vale por si, não necessita de metalinguagens para nada. Mas Bénard da Costa consegue sempre acrescentar qualquer coisa, algo que vem consolidar o nosso amor por determinado filme. Há uma afectividade contida, emocionada, nas críticas que faz aos filmes que nos dá a conhecer. Bénard da Costa fala de alguns filmes usando do mesmo tipo de ternura que eu usaria para falar do gato Pirolito que me morreu na infância ou da nespereira que o meu pai plantou em criança. Os filmes são marcos na sua vida: "(...) fui buscar a mais bela, esse The Ghost and Mrs. Muir de Joseph L. Mankiewicz, que me persegue desde que o vi, ainda não tinha 13 anos, até que o revi, nesta mesma Gulbenkian, ainda não tinha 45 anos e nunca mais pensei que nestes últimos 25 anos o fosse rever tanto e tanto até quase o saber de cór." Talvez não seja abusivo dizer que os filmes são a sua vida.

Como o Cinema era Belo

Inserido nas comemorações dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian (1956-2006), o ciclo "Como o Cinema era Belo" apresenta-nos, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, 50 filmes inesquecíveis, distribuídos por sábados e domingos até 18 de Fevereiro/2007.
Avizinham-se fins-de-semana bem passados, é o que é.

domingo, outubro 15, 2006

Lady in the water de M. Night Shyamalan

O homem merece ser salvo?
*
Gosto de filmes assim, filmes (epopeicos) que nos fazem voltar a acreditar na grandiosidade do ser humano, na possibilidade do conto de fadas acontecer no sítio mais comezinho, com as pessoas mais banais, impondo-se contra a vida snob, pessimista e previsível. Não é à toa que, neste filme, o único personagem a merecer morrer é também o mais enfastiado com a vida e com a arte, um crítico de cinema preso na convicção de já nada ser capaz de lhe ensinar alguma coisa, preso no cânone e no estereótipo, os quais afinal acabam por o surpreender da forma mais cruel, matando-o. No meio desta atmosfera artística tão descrente, é redentor vermos emergir um filme assim, fazendo-nos acreditar que todas as pessoas, por mais (a)normais ou estranhas que aparentem ser, são na verdade portadoras de um sentido imprevisível até para elas próprias, uma missão longe dos estereótipos e contra a maldade do mundo. É de novo a possibilidade renascentista do homem como Deus, imortal, do homem que merece ser salvo.
*
É também esta crença no ser humano que me faz gostar da poesia de Jorge de Sena. Convoco aqui um excerto de um dos poemas dele que mais gosto, chama-se "A Morte, o Espaço, a Eternidade" e foi escrito em 1/4/1961, sábado de aleluia (dia da ressurreição de Cristo):
+
"De morte natural nunca ninguém morreu.
Não foi para morrer que nós nascemos,
não foi para a morte que dos tempos
chega até nós esse murmúrio calvo,
inconsolado, uivante, estertorado,
desde que anfíbios viemos a uma praia
e quadrumanos nos erguemos. Não.
Não foi para morrermos que falámos,
que descobrimos a ternura e o fogo,
e a pintura, a escrita, a doce música.
Não foi para morrer que nós sonhámos
ser imortais, ter alma, reviver,
ou que sonhámos deuses que por nós
fossem mais imortais que sonharíamos.
Não foi. Quando aceitamos como natural,
dentro da ordem das coisas ou dos anjos,
o inomável fim da nossa carne; quando
ante ele nos curvamos como se ele fôra
inescapável fome de infinito; quando
vontade o imaginamos de outros deuses
que são rostos de um só; quando que a dor
é um erro humano a que na dor nos damos
porque de nós se perde algo nos outros, vamos
traindo essa ascensão, essa vitória, isto
que é ser-se humano, passo a passo, mais."
(...)

domingo, setembro 17, 2006

"Faça Favor", um filme de Pierre Salvadori

Uma comédia inteligente, que esconde por detrás da sua ligeireza uma espécie de "teoria do beneficio".
Como sinopse, poderemos dizer que esta é a história de Antoine, chefe de mesa num restaurante em Paris, que certa noite, estando já atrasado para um encontro, opta por cortar caminho por meio de um jardim, dando de caras com um desconhecido que naquele mesmo momento se tenta enforcar. Impedido o suicídio, Antoine passa a sentir-se responsável pela vida de Louis, procurando, de forma generosa e abnegada que este volte a gostar de viver. E de tal forma é a sua entrega a esta causa que não podemos deixar de rir, quando, a páginas tantas, Louis (o ingrato) se vira para Antoine e o acusa de só pensar em si própro, de ser um egoísta. Apesar de tudo indicar o contrário, caladas as gargalhadas, começamos a pensar que talvez esta acusação não seja assim tão desprovida de sentido. De facto, por detrás do "tipo bonzinho" que é Antoine, há sobretudo o "tipo que não sabe dizer que não", o tipo que se prejudica para ajudar um desconhecido a retomar a sua vida mas que despreza a sua própria namorada (esquecendo-se do aniversário de três anos de namoro). Na verdade, apesar das evidências não o dizerem, o que move Antoine não é a atitude altruísta, é o amor a si próprio.
A propósito deste filme, lembrei-me das Memórias Póstumas de Brás Cubas (há livros que são uma espécie de enciclopédias: têm lá tudo), mais propriamente ao capítulo que Machado de Assis dedica à "Teoria do Benefício". Fica aqui um excerto:
*
"o prazer do beneficiador é sempre maior que o do beneficiado. Que é o benefício? é um ato que faz cessar certa privação do beneficiado. Uma vez produzido o efeito essencial, isto é, uma vez cessada a privação, torna o organismo ao estado anterior, ao estado indiferente. Supõe que tens apertado em demasia o cós das calças; para fazer cessar o incômodo, desabotoas o cós, respiras, saboreias um instante de gozo, o organismo torna à indiferença e não te lembras dos teus dedos que praticaram o ato."
Sobre o prazer do beneficiador escreveu Machado de Assis: "Primeiramente, há o sentimento de uma boa acção, e dedutivamente a consciência de que somos capazes de boas acções; em segundo lugar, recebe-se uma convicção de superioridade sobre outra criatura, superioridade no estado e nos meios; e esta é uma das coisas mais legitimamente agradáveis, segundo as melhores opiniões, ao organismo humano. Erasmo, que no seu Elogio da Sandice escreveu algumas cousas boas, chamou a atenção para a complacência com que dois burros se coçam um ao outro. Estou longe de rejeitar essa observação de Erasmo; mas direi o que ele não disse, a saber, que se um dos burros coçar melhor o outro, esse há de ter nos olhos algum indício especial de satisfação."

sábado, setembro 09, 2006

United 93 (Paul Greengrass)


O filme que recria de uma forma muito realista, em estilo documental, o trajecto do quarto avião desviado por terroristas muçulmanos no 11 de Setembro (o voo United 93), desde os momentos que antecedem o embarque até ao despenho numa zona rural da Pensilvânia, não chegando a atingir o seu alvo em Washington.
E é a angústia desses 91minutos de voo que verdadeiramente vivemos neste filme, 5 anos depois. Um filme que deve a sua verosimilhança menos ao facto de retratar um caso real e mais à forma como é encenado: sem heróis nem moralismos. O facto de não haver personagens mais desenvolvidas nem por isso diminui a nossa identificação com as mesmas. Se eu fosse naquele avião seria certamente a rapariga que diz "eu não quero estar aqui, eu não quero estar aqui, eu não quero estar aqui!".
De tal forma somos "embarcados" neste filme, que saí da sala com a sensação de estar a contrariar uma das frases finais a aparecerem no ecrã e que dizia "não houve sobreviventes neste voo".

sexta-feira, setembro 01, 2006

Sonhar com Xangai (Wang Xiaoshuai)


A metáfora: uma família constituída por duas gerações apresenta-se como metáfora da China e da transformação que nela ocorreu ao longo de duas décadas que vão dos anos 60 à altura em que se passa o filme, nos anos 80. E como são abismais as diferenças entre a China dos anos 60 e a China que desabrocha nos anos 80, também o conflito geracional é apresentado como um drama, colocando num lado o pai desiludido com o que o país lhe prometeu, autoritário e oprimido, perdido na sua identidade geográfico-afectiva e do outro lado, a filha ainda prisioneira da rigidez do pai mas com uma lucidez e maturidade que denunciam já uma mudança.
A tragédia: é o sentimento de exílio da geração dos pais, deslocada das cidades para as províncias nos anos 60 para ali fazerem a "terceira revolução industrial", que irá despoletar a tragédia. A despromoção a "gente do campo" sentida pela geração mais velha, indo trabalhar para as fábricas no interior do país, nunca é vista por eles como definitiva. Quando, totalmente desorientados e exaustos, tentam regressar às suas cidades natais, já se passaram 20 anos e os filhos não querem voltar. Para a geração mais jovem destas famílias, Xangai, a grande cidade, é apenas um sonho, uma interrogação. A sua vida está nas pequenas terras onde cresceram, onde vivem os seus primeiros amores ainda juvenis, sentidos de forma exponencial e definitiva. Quando arrancados à força, estes amores contrariados tornam-se obsessões, tresloucam e o resultado são actos extremados como a tristeza absoluta e silenciada, a violação ou a morte.
Um filme que é uma metáfora sobre a China mas cuja tragédia (do exílio, da imigração, do amor contrariado, da proibição e censura, do conflito geracional, da mudança histórica...) é universal.

terça-feira, agosto 22, 2006

Miami Vice (Michael Mann)


Pensei que Miami Vice fosse um filme de porrada, com gajos latinos montados nas suas altas máquinas (descapotáveis, motos, lanchas, aviões a jacto), grandes mansões, muito neon, muito gel naqueles cabelos. Afinal encontrei mais do que isso.
Guardei um filme em que o espaço é também personagem; e sobretudo um filme cujo ritmo depende mais das relações amorosas (é nelas que está o pathos) e menos da "caça aos maus". Um filme em que o amor e o ciúme não são mencionados, são pressentidos em discretos olhos com lágrimas, de Isabella enquanto faz amor com Sonny e de José Yero, enquanto observa Isabella e Sonny a dançar, adivinhando entre os dois algo mais sério do que um encontro casual.
No essencial, a espontaneidade com que as relações se vão construindo à nossa frente, sem embelezamentos forçados; a intimidade mostrada sem enfeites na forma natural com que duas pessoas que se amam partilham o chuveiro. Só temos a certeza daquilo que já desconfiávamos (que Sonny e Isabella se amam) quando os vemos entrar juntos no chuveiro, tal como já havíamos visto Trubbs e Trudy.
Gostei.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Il Mare




"Sung-Hyun, há três coisas que não podem ser escondidas: a tosse, a pobreza e o amor... quanto mais tentamos escondê-las, mais elas aparecem."

do filme coreano Il Mare, realizado por Hyun-Seung Lee (2000)

terça-feira, agosto 15, 2006

Romance & Cigarettes


Fiquei com vontade de pintar o cabelo de ruivo depois de ver este filme, Romance & Cigarettes de John Turturro.
Vive nele um verdadeiro frenesim musical, momentos em que nos sentimos entontecer como nas coreografias para as canções "Delilah" e "Piece of my Heart". Um bom roteiro de canções sobre o amor, algumas num kitsch que vai bem com o filme.
Take it
Take another little piece of my heart
now baby
Take another little piece of my heart
I know you will
Break it
Break another little piece of my
heart now baby
cause
you know you got it if it makes you feel good, so good
Este é também um bom motivo para ver James Gandolfini (conhecêmo-lo sobretudo da série Sopranos), Susan Sarandon e Christopher Walken.
Um filme com pontes em construção em pano de fundo (nos subúrbios nova-iorquinos) e aviões que rasgam o céu. O ambiente que reflecte e amplia o tema que para mim se revelou como fundamental neste filme: a luta contra a solidão.
Fica uma dúvida: Será mesmo verdade que as ruivas precisam de mais 20% de anestesia do que o resto das mulheres? "They feel more!" diz Angelo, o trabalhador metalurgico das pontes, fascinado por rabos grandes (interpretado por Steve Buscemi).