sábado, abril 21, 2007

Ilha dos Museus (Berlim, Abril/2007)

O Bodemuseum com a Fernsehturm (torre da televisão) ao fundo. A torre vê-se de quase todo o lado em Berlim, é quase um farol, os berlinenses chamam-lhe Telespargel ou palito (a malta põe alcunhas a grande parte dos edifícios marcantes da cidade) . Continua a ser a estrutura mais alta da cidade embora tenha sido construída em 1969.





Em frente à Alte National Galerie estavam uns músicos. Ao lado deste, na foto, estava um outro que conseguia extrair música a partir da vibração dos dedos molhados nos bordos de copos de vários tamanhos. Fiquei vidrada a pensar no talento dos alemães para a música.



Foi nesta ilha que nasceu Berlim, nos começos do séc XIII. Aqui encontramos a Berliner Dom (catedral de Berlim) e uma das maiores concentrações de museus que tenho visto, entre os quais o Bodemuseum, o AltesMuseum, o Pergamonmuseum e a fantástica Alte Nationalgalerie.

Maçãs (Berlim, Abril/ 2007)

Comprar maçãs em Berlim não é tarefa simples, a variedade é inacreditável.

Memoriais (Berlim, Abril/2007)




A memória dos judeus mortos durante o Holocausto é evocada um pouco por toda a cidade. Há sítios, como a Grosse Hamburger Strasse (uma das principais ruas do antigo bairro judeu de Berlim) onde é inevitável a sensação de "frio na barriga".

domingo, abril 15, 2007

Charlottenburg (Berlim, Abril/2007)


Charlottenburg é uma das zonas mais encantadoras de Berlim, com os seus relvados, árvores e um lago. Era originalmente o retiro de Verão da rainha Sophie Charlotte e o complexo conseguiu sobreviver desde o séc XVIII (coisa rara numa cidade como Berlim). Havia muita gente a passear-se por ali (era fim-de-semana).

Árvores (Berlim, Abril/2007)

(árvores no Tiergarten, o pulmão de Berlim)


O meu olhar andava habituado às paisagens com pinheiros e eucaliptos. Em Berlim, boa parte das árvores são tílias, bordos, áceres ou plátanos. Nesta altura do ano, algumas destas árvores já começavam a ter folhas e flores, outras ainda estavam muito despidas e invernosas.


(há muitas árvores e um lago com patos em Charlottenburg)


(a bucólica Bebelplatz)



(estas árvores quase dão vontade de viver nestes prédios de muitos andares ao melhor estilo soviético)

Karl-Marx-Allee (Berlim, Abril/2007)





Demora-se bem mais de uma hora a atravessar esta monumental avenida, a mítica Karl-Marx-Allee (chamada Stalinallee até 1961), a primeira "avenida socialista" da RDA. No meio daquela arquitectura estilo "bolo de casamento" foi bom encontrar oásis como o Café Moscovo ou o fantástico Kino International.

Siegessäule (Berlim, Abril/2007)



A Siegessäule (coluna da Vitória) ergue-se numa rotunda (Grosser Stern) onde confluem cinco grandes estradas, em pleno coração do parque Tiergarten. Vistas lá de cima, as árvores do parque pareciam pompons.

sábado, abril 14, 2007

Ruínas (Berlim, Abril-2007)

Nem tudo em Berlim foi reconstruído. Há ruínas que ficaram, propositadamente, para que ninguém se esqueça. É o caso da Igreja da Memória (Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche), destruída nos bombardeamentos de 1943 e assim deixada. Ao lado do que resta da antiga igreja, foi contruída uma nova igreja octogonal, em vidro azul, com uma torre sineira separada. Fica localizada na Breitscheidplatz, uma animada praça, perto da Ku´dam, uma espécie de centro da antiga Berlim Ocidental. A foto em cima foi tirada sábado passado, do 22º andar do Europa-Center, e lá em baixo parecia haver uma confusão de formigas às compras.
Outros vestígios do passado são os pedaços de muro que ainda vamos encontrando um pouco por toda a cidade. O maior troço está em East Side Galery mas também no sítio onde agora funciona a exposição "Topographie des Terrors" podemos encontrar um troço com alguma dimensão. Neste sítio, em NiederKirchner Strasse foram erigidas algumas das instituições mais temidas do Terceiro Reich como o quartel-general da Gestapo ou o Serviço de Segurança das SS. Na foto em cima, por detrás do muro, vemos um desses edifícios, curiosamente é aí que actualmentes estão instalados os serviços de Finanças (ora aí está um edifício que não se livra da má fama).


A fachada em ruínas é tudo o que resta da outrora enorme e imponente Estação Central de Caminhos-de-Ferro de Berlim.


É fácil encontrar, nas paredes dos edifícios que sobreviveram, as marcas da guerra. É o caso do edifício em cima, localizado na Grosse Hambuger Strasse, uma rua importante na história dos judeus em Berlim.

Ampelmännchen

Os berlinenses têm especial simpatia por este homenzinho do semáforo, outrora utilizado apenas no lado leste. A sua utilização generalizou-se em toda a cidade, tendo inclusive, contribuido para a diminuição dos acidentes com peões. Uma simpatia que também está a ser utilizada de forma proveitosa no turismo pois o Ampelmännchen passou a ser visto também em canecas, camisolas, bolsas e bijuterias, disponíveis em qualquer posto turístico. Há até quem já tenha patenteado uma mulher semáforo, a Ampelmädchen.

Metro (Berlim, Abril/2007)

Metro-Alexanderplatz
Aqui passa a linha U2 que por sua vez também passa pelo Zoo de Berlim (e assim se inspiraram os U2). Os transportes em Berlim funcionam muito bem, a rede de autocarros é tão ou mais eficiente que a do metro e durante o dia nunca se espera mais de 10-15 minutos por um autocarro. Aqui sente-se o rigor germânico a funcionar. Mas nem tudo são rosas: no meio de tanta monumentalidade (avenidas longas e largas), a falta de passadeiras para os peões obriga-nos a dar grandes voltas ou a aumentar o ritmo cardíaco enquanto se atravessam estradas "à maluca". Depois, não é só com os carros que temos de ter cuidado, naquela planura, abundam rápidos ciclistas. Sabe bem, por isso, atravessar com ajuda dos típicos homenzinhos dos semáforos, outrora apenas utilizados no lado leste, os carinhosamente chamados Ampelmännchen, um dos poucos símbolos da antiga Alemanha Oriental a ser bem aceite em toda capital.

Nova Arquitectura (Berlim, Abril-2007)



O Reichstag é sede do parlamento alemão desde Abril de 1999 e é provavelmente o parlamento mais visitado no mundo, graças à sua reluzente cúpula de vidro que se ergue sobre a sala de plenários, obra do arquitecto britânico Norman Foster. Este edifício esteve no centro de grandes acontecimentos da história alemã e é um dos símbolos da sua reunificação. Para documentar a sua importância, estão expostas uma série de fotografias de várias épocas, inclusive uma que mostra todo o edifício (na altura, ainda sem a actual cúpula) totalmente embrulhado pelo artista búlgaro Christo. À volta do Reichstag, erguem-se outros edifícios vanguardistas, sedes do poder político alemão como a enorme residência oficial do chanceler alemão (uma bela casita, com direito a vista para o rio Spree e tudo).




Fotos do Regierungsviertel que é como quem diz, quarteirão do governo, junto ao Reichstag .


Por detrás do Deutsches Historiches Museum (Museu de História Alemã) situado em Under den Linden fica o edifício I M Pei Bau, uma ampliação deste museu e que é obra do modernista chinês I.M. Pei.

Este edifício até passaria despercebido não fosse a sua famosa vela de metal que lhe dá uma silhueta inconfundível.


O projecto urbano da Potsdamer Platz está dividido em 3 grandes secções que reuniram uma equipa internacional de famosos arquitectos: DaimlerCity (primeiro dos 3, terminado em 1998); o famoso Sony Center cuja praça central é coberta por uma espectacular clarabóia de vidro (é neste complexo que está instalada a Cinemateca local, o Filmmuseum com o seu agradável café Billy Wilder) e o Beisheim Center.

É em redor da Potsdamer Platz que se erguem os mais impressionantes edifícios, numa reinterpretação desta histórica praça que foi totalmente devastada durante a II Guerra e mais tarde, dividida ao meio pelo muro.


Cone de luz da autoria de Jean Nouvel, no centro do edifício das Galerias Lafayette, Frierichstrasse.
*

A II Guerra Mundial está muito próxima e Berlim é ainda uma cidade em obras, com as gruas a marcarem a paisagem. Sobre os escombros, erguem-se edifícios fantásticos, merecendo a assinatura dos melhores arquitectos da actualidade.

Ursos em Berlim (Abril-2007)
















O urso é o símbolo de Berlim e a cidade está cheia deles, no sentido denotativo. Não é a toa que em vez dos Óscares, o Festival de Cinema de Berlim premeia com Ursos de Ouro, Prata e Bronze. Aliás, o entusiasmo dos berlinenses pelos ursos é mesmo sincero a julgar pela polémica que se instalou por estes dias em torno de um urso polar bébé que nasceu no Zoo de Berlim. Knut nasceu em Dezembro do ano passado e foi rejeitado pela mãe tendo sido criado por tratadores, caso contrário já teria morrido. Alguns activistas foram da opinião que o ursinho deveria ser abatido, opinião que acabaria por ser contrariada pelo próprio Zoo. Resultado: as visitas ao Zoo de Berlim aumentaram, já foram vendidos mais de 2,4 mil ursinhos de peluche Knut e as acções da empresa Zoologischer Garten Berlin AG (Jardim Zoológico de Berlim S/A) dispararam.
Nos famosos armazéns Kadewe (abreviatura de Kaufhaus des Westerns, um dos maiores templos de consumo europeus, equiparável apenas ao Harrod´s de Londres ou às galerias Lafayette de Paris) encontrámos aquela que será provavemente uma das maiores concentrações de ursos de peluche no mundo, com destaque para os da histórica marca alemã "Steiff".

quarta-feira, março 28, 2007

O centro do meu mundo








Num dos seus romances ou crónicas, já não sei bem, António Lobo Antunes escreve que o centro do seu mundo é a cama antiga dos pais, na casa de Benfica. No JL de 17/Janeiro/07, esta ideia de centro do mundo que tanto me impressionou, volta a aparecer, numa Autobiografia de Francisco José Viegas: "O Pocinho é, ainda hoje, o centro do meu mundo, nesse retrato composto pelo rio, pelo vale rochoso e árido, pelo Vale Meão, pelas vinhas, pelo pequeno fio de choupos que acompanha as suas margens, pelas escarpas que sobem para Santo Amaro, para a Lousa (mais ao longe) e pelos amendoais abandonados que vão até Cedovim, onde também vivi."
Partilho com estes dois escritores esta necessidade referencial porque aquilo que sou, vive da memória de lugares. Não são lugares deslumbrantes mas também não são feios de todo. São lugares que visito amiúde porque são o centro do meu mundo (alguns estão nas foto acima).