sábado, outubro 07, 2006
quinta-feira, outubro 05, 2006
*
Pensamento que acompanhou o "clic", ao tirar esta foto: a quantidade de gente (estudantes de várias idades, artistas, cidadãos anónimos) que vi, com cavaletes ou sentados pelos chãos dos corredores das Tates (Modern e Britain), da National Gallery e não só, em frente aos quadros, desenhando, imitando os pintores que mais admiram ou simplemente conversando sobre as obras, transformando os museus em sítios verdadeiramente aprazíveis, sítios onde até o espaço pode ser inspirador (como o senhor da foto acima, desenhando a paisagem à sua frente), sítios onde as crianças (juizes implacáveis destas coisas) gostam de estar e se divertem. De facto, a maior prova desta aprazibilidade é mesmo a quantidade de crianças que vi, aos magotes, puxando lápis dos bolsos dos seus uniformes aos quadradinhos, todas com imenso jeito, o que só pode ser consequência de muitas horas a treinar o risco, com gosto. Lembro-me em particular dum grupo de crianças, com 10/12 anos no máximo, alinhadas em frente ao quadro Water do pintor flamengo Joachim Beuckelaer, copiando peixes pacientemente para os seus cadernos, tão bonitos os desenhos daquelas crianças, tão perfeitos os seus peixes (e tinham muitos para copiar já que nesse quadro foram identificadas 12 espécies diferentes). Lembro-me que desviei os olhos da parede para os fixar nos blocos coloridos das meninas, um pouco invejosa daqueles lápis de cor de tantas tonalidades (aos quais não tive acesso na minha infãncia pois só tinha seis e poupadinhos), daquela intimidade com quadros de grandes pintores, quando a maior inspiração para as pinturas da minha infância eram as Histórias do Avozinho (tinham umas gravuras muito perfeitinhas) e os desenhos de passarinhos e flores da minha mãe, em sobras de papel pardo. A questão é: porque é que nos nossos Museus (em particular, no Museu de Arte Antiga) isto não acontece? Foi a consciência deste fosso palpável que soou dentro de mim como uma campainha, em uníssono com o clic ao premir o botão da máquina fotográfica.
Imagens do ceu entre Lisboa e Londres, esta tarde
terça-feira, outubro 03, 2006
Gostos Simples
Eis como se pode fazer feliz uma rapariga como eu: um dia ao entardecer, junta-se uns amigos que nos vêm bater à porta, poucos mas bons como se costuma dizer, pensa-se que se calhar até não era má ideia a malta ir comer a qualquer lado, alguém sugere o La Trattoria e partimos. Chegados lá, que giro, que restaurante tão "Nova Iorque", já reparaste que os vemos a cozinhar-gosto sempre de ver a cozinha nos restauantes, o meu calzoni está óptimo, o vinho é excelente, aquela pizza está cá com um bom aspecto (deve ser do forno a lenha), o teu rizotto também não está nada mal e o vinho que bem que me está a saber, umas piadas parvas entre garfadas, umas gargalhadas, ai as sobremesas, uns desabafos, a conta até nem custou muito a pagar e no fundo dos nossos pratos vazios fica a promessa de voltar (talvez com mesa junto à janela).
domingo, outubro 01, 2006
sábado, setembro 30, 2006
Livros em Desassossego
Na passada quinta-feira à noite, dia 28 de Setembro, fui até à Casa Fernando Pessoa onde decorreu mais uma tertúlia, desta vez dedicada ao tema "Aprende-se História lendo romances históricos?". Contando, uma vez mais, com a moderação de Carlos Vaz Marques, teve como convidados Pedro Almeida Vieira (autor de dois romances históricos), o muito interessante historiador Rui Tavares (autor do Pequeno Livro do Grande Terramoto), Miguel Real (confirmado recentemente vencedor do prémio Fernando Namora com o romance A Voz da Terra) e ainda o editor da Caminho, Zeferino Coelho. António Mega Ferreira também era convidado mas baldou-se à última da hora (incompatibilidades de agenda).
Lançaram-se várias achegas mais ou menos interessantes sobre o tema, entre as quais: aprende-se efectivamente história lendo romances históricos? desaprende-se história lendo romances históricos? um escritor aprende história escrevendo romances históricos? o que é afinal um romance histórico?
Confesso que, a páginas tantas (talvez fruto de um dia de trabalho cansativo), a intervenção de Miguel Real já me fazia doer as costas. Felizmente, Carlos Vaz Marques - é para isto que serve um bom moderador - apercebeu-se do desconforto dos corpos presentes nas respectivas cadeiras, e deu a palavra a outro orador. A participação mais interessante da noite revelou-se também a mais inesperada: a de Zeferino Coelho, editor da Caminho, homem de sorriso irónico e imagem "quixotesca" cuja opinião sobre o tema parece ter caído como uma bomba entre os presentes: afirmou não esperar que um livro lhe ensine alguma coisa, Na verdade, um livro que apenas contenha vida quotidiana e nenhum saber enciclopédico não é necessariamente menos literário, não é a capacidade de ensinar alguma coisa que faz uma boa obra. Por isso, quando foi pedido a Zeferino Coelho que sugerisse três livros publicados este ano (sem ser pela Caminho), empertiguei-me toda na cadeira para o ouvir melhor. Um deles foi A educação pela pedra do poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto (de cuja poesia já ouvi falar muito bem mas de quem nunca li nada). E foi o entusiasmo deste senhor editor que me fez ir, nesta manhã de sábado, adquirir o 12.º volume do Curso Breve de Literatura Brasileira que é nem mais A educação pela pedra do João Cabral de Melo Neto. A ver se vai ser boa companhia.
Higiene Pessoal
Uma pessoa constipa-se ligeiramente. Continua a fazer a sua vida normal: vai ao cinema, sai com os amigos, vai à mercearia, ao talho, viaja, cozinha, rega as flores, lê uns livros, dá uns beijinhos, prega partidas, ri, chora (até ajuda a expelir o muco), vai ao futebol, uns respingos e um nariz encarnado pelo meio, visita umas exposições, janta fora, vai trabalhar... mas não pode ir à natação. NÃO PODE IR À NATAÇÃO. Descobri isto um destes dias, estava eu com água de piscina até às orelhas e eis senão quando um espirro me vem ameaçar (só a muito custo o segurei, podia-me até ter afogado com esta brincadeira). Como é que uma pessoa constipada mantém a sua dignidade nas aulas de natação, evitando o asco dos outros? Como é que uma pessoa se assoa dentro de água, com que lenço? E onde é que os guarda, caso houvessem lenços impermeáveis? Foi uma descoberta fulminante, esta da possibilidade de ter de ficar em casa a assoar-me enquanto os outros (incluindo um miúdo de 8 anos que goza sempre os meus mergulhos-o parvo) vão para a natação ao final do dia. Vou-me guardar das correntes de ar e das aves, é o que vou fazer.
quarta-feira, setembro 27, 2006
Vida de Estudante

Depois de ter passado os últimos dias prisioneira da volatilidade das taxas de juro e dos preços, dos modelos de gestão de risco, da Duration, do Value at Risk, das posições cambias líquidas, do Mercado Monetário Interbancário, do Diferencial de Fundos Simples e Incremental, do controlo da liquidez e quejandos, foi uma verdadeira libertação (finalmente) arrumar os livros na prateleira.
Estou de pensamento livre outra vez.
quinta-feira, setembro 21, 2006
domingo, setembro 17, 2006
"Faça Favor", um filme de Pierre Salvadori
Uma comédia inteligente, que esconde por detrás da sua ligeireza uma espécie de "teoria do beneficio". Como sinopse, poderemos dizer que esta é a história de Antoine, chefe de mesa num restaurante em Paris, que certa noite, estando já atrasado para um encontro, opta por cortar caminho por meio de um jardim, dando de caras com um desconhecido que naquele mesmo momento se tenta enforcar. Impedido o suicídio, Antoine passa a sentir-se responsável pela vida de Louis, procurando, de forma generosa e abnegada que este volte a gostar de viver. E de tal forma é a sua entrega a esta causa que não podemos deixar de rir, quando, a páginas tantas, Louis (o ingrato) se vira para Antoine e o acusa de só pensar em si própro, de ser um egoísta. Apesar de tudo indicar o contrário, caladas as gargalhadas, começamos a pensar que talvez esta acusação não seja assim tão desprovida de sentido. De facto, por detrás do "tipo bonzinho" que é Antoine, há sobretudo o "tipo que não sabe dizer que não", o tipo que se prejudica para ajudar um desconhecido a retomar a sua vida mas que despreza a sua própria namorada (esquecendo-se do aniversário de três anos de namoro). Na verdade, apesar das evidências não o dizerem, o que move Antoine não é a atitude altruísta, é o amor a si próprio.
A propósito deste filme, lembrei-me das Memórias Póstumas de Brás Cubas (há livros que são uma espécie de enciclopédias: têm lá tudo), mais propriamente ao capítulo que Machado de Assis dedica à "Teoria do Benefício". Fica aqui um excerto:
*
"o prazer do beneficiador é sempre maior que o do beneficiado. Que é o benefício? é um ato que faz cessar certa privação do beneficiado. Uma vez produzido o efeito essencial, isto é, uma vez cessada a privação, torna o organismo ao estado anterior, ao estado indiferente. Supõe que tens apertado em demasia o cós das calças; para fazer cessar o incômodo, desabotoas o cós, respiras, saboreias um instante de gozo, o organismo torna à indiferença e não te lembras dos teus dedos que praticaram o ato."
Sobre o prazer do beneficiador escreveu Machado de Assis: "Primeiramente, há o sentimento de uma boa acção, e dedutivamente a consciência de que somos capazes de boas acções; em segundo lugar, recebe-se uma convicção de superioridade sobre outra criatura, superioridade no estado e nos meios; e esta é uma das coisas mais legitimamente agradáveis, segundo as melhores opiniões, ao organismo humano. Erasmo, que no seu Elogio da Sandice escreveu algumas cousas boas, chamou a atenção para a complacência com que dois burros se coçam um ao outro. Estou longe de rejeitar essa observação de Erasmo; mas direi o que ele não disse, a saber, que se um dos burros coçar melhor o outro, esse há de ter nos olhos algum indício especial de satisfação."
sábado, setembro 16, 2006
Its a girl !

Dentro desta barriga, misteriosamente, já mora uma bébé.
E como estas coisas passam sempre a correr, em pouco mais de um mês a pequena Joana já estará cá fora, a olhar para nós, esticando as mãos para nos mexer, ao mesmo tempo que vai aprendendo a falar, a andar e a sorrir.
Há quem se orgulhe de ter amigos que são famosos porque escreveram livros ou pintam bem, participaram em reality shows ou são Ministros... eu tenho uma amiga que está grávida. E há poucas coisas mais incríveis para se estar nesta vida.
quarta-feira, setembro 13, 2006
fotografias da rua de Lisboa que eu mais piso

As fotos ainda estão um bocadinho toscas mas são a primeira fornada da minha mais recente aquisição: uma pequena máquina fotográfica Olympus (digital que é para me facilitar a vida). Se olharmos com atenção, na foto de baixo está uma velhinha à janela (do lado direito). Na verdade, mais difícil será encontrar uma foto tirada num bairro antigo de Lisboa que não tenha uma pessoa idosa à janela...
Geração "Anos 90"

Até há pouco tempo, o revivalismo da nossa "massa crítica" concentrava-se unicamente na música dos anos 80.
É certo que a maioria dessas músicas não me são desconhecidas, mas a verdadeira emoção (a vontade de quase chorar), o frio na barriga ... só as músicas dos anos 90 conseguem ter esse efeito em mim.
Curiosamente, nos últimos tempos comecei a ouvir falar nos "anos 90" e nos hits dos nineteens (talvez porque este ano as pessoas da minha geração fizeram - no mínimo - 30 anos e começam a ser também elas "massa crítica").
Aqui ficam 2 exemplos de Músicas para Sonhar: "Dreams" dos Cranberries e "Bluebeard" dos Cocteau Twins (para ouvir basta clicar em cima dos nomes das canções).
As mesmas canções, mas em cantonês (nas fantásticas versões de Faye Wong) podem ser ouvidas aqui.
As mesmas canções, mas em cantonês (nas fantásticas versões de Faye Wong) podem ser ouvidas aqui.
Perder o medo de voar
Depois do bombardeamento de imagens dos últimos dias (alusivas ao 11 de Setembro), perder o medo de andar de avião tornou-se tarefa árdua.
Mas com o vídeo que encontrei no blog do Rui, talvez consiga voar outra vez: Bright Eyes com "At the Bottom of Everything" (lindo!).
Mas com o vídeo que encontrei no blog do Rui, talvez consiga voar outra vez: Bright Eyes com "At the Bottom of Everything" (lindo!).
Subscrever:
Mensagens (Atom)












